Mostrando postagens com marcador Pai. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pai. Mostrar todas as postagens

domingo, 10 de julho de 2011

Maria e a barriguinha

Contei para Maria que aqui na barriguinha, seu primeiro abrigo para prepará-la para a vida, há outro bebê. Ela me olhou, escutou, virou-se e continuou atenta em seus afazeres (no caso, encaixar um triângulo e um quadrado nos devidos orifícios da mesma forma).
Com o atraso do ciclo fiz um teste de farmácia. Para retificar, fiz outro, meia hora mais tarde. Mas isso não tem nada a ver com saber-me grávida. Dois dias antes do teste olhei-me no espelho do elevador, bem de frente. Foram os olhos que denunciaram. Olhos luminosos. E a pele viçosa. ‘Que belezura! Da última vez que me vi assim, esperava minha Maria!’, pensei.
Estar grávida pela segunda vez é menos aflitivo, ao menos no que diz respeito às mudanças fisiológicas de mãe-bebê. Quanto às ansiedades do porvir, são outras. Não me pergunto se serei boa mãe, se serei pacienciosa, se saberei acudir suas necessidades. Pergunto-me: Maria se sentirá posta de lado? Como aceitará o bebê? Saberei dosar as atenções sem pender a balança? E meus momentos só com ela, serão de alguma forma preservados? E quando os dois chorarem ao mesmo tempo?... Por aí vai.
Quanto ao pai, da primeira vez que ficou grávido, teve uma apendicite 15 dias depois da notícia. Desta vez, 15 dias depois, enjoou, vomitou, teve febre. Já está recomposto. Ele, pra poder gestar, gosta de sentir nas vísceras a experiência de ser papai. Quanto a mim, me sinto ótima!

sábado, 29 de maio de 2010

Aninhada no pai

Maria está lá em nossa cama, aninhada no pai. Todas as manhãs ela vai pra nossa cama depois do resmunguinho habitual. Esta manhã levei-a para lá, ela mamou, ajeitou-se formosa no meu travesseiro e dormiu. Mãe perdeu o lugar.

Fiquei me lembrando de quando eu era criança, nos fins de semana na casa dos meus avós, me deitava entre eles todas as manhãs. Então minha vó se levantava para fazer o café da manhã e eu ficava com meu vô Lins, deitadinha. Era uma delícia.

Em casa também era assim. Sempre que podia me enfiava na cama dos meus pais. Depois minha mãe também ia preparar o café e eu aproveitava mais uns minutos de papai.

domingo, 14 de março de 2010

A paternidade transforma o homem


Nunca fui fã de lagartixas. Quando me apavorava Eduardo sempre vinha com o discurso do auto-controle, mas nunca me socorreu.

Hoje Maria estava dormindo em seu berço e uma lagartixinha estava no teto (me pergunto como ela veio parar no décimo andar). Apenas comuniquei o fato. Menos de trinta segundos depois estava ele, munido de macheza e vassoura. Foi espantando a pequena até sair pela janela. Maria estava a salvo.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Monólogos (estranhos) do pai

Eu enchendo a banheirinha da Maria e Eduardo conversando com ela:
"Vas a bañarte en la tina, como Cleopatra... pero no en leche, vas a bañarte en agua". (Você vai tomar banho na banheira, como Cleópatra... mas não em leite, vai tomar banho na água.)

...

Eu na cozinha, apenas escutando:
"¿De quién son estos cachetitos de marrana flaca? ¿De quién son estos cachetitos de marrana flaca?" (De quem são essas bochechinhas de porca magra?)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O parto, Maria e peitos


Amanhã nossa filha cumprirá duas semanas de vida fora da barriguinha. Às vezes olho pra ela e custo a acreditar que ela é a mesma que eu sentia dentro de mim. Mexe muito bracinhos e perninhas. Soluça a toda hora. Algumas vezes procura o peito com sofreguidão, como se ele fosse fugir.

Os últimos dias de gestação foram difíceis. Psicologicamente difíceis. Fisicamente, apenas o cansaço. Desde 1º de janeiro esperava pelo sinal de que ela chegaria. Intensifiquei caminhadas, aconselhei-me com minha doula, fiz acumpuntura, conversei com Dr. Alfredo, fiz exercícios na água... Queria um parto normal e uma possível cesária me arrepiava os cabelos.

Estava com mais de 40 semanas quando Dr. Alfredo agendou o cheque mate. Dia 21 faríamos a indução, com 41 semanas. Iniciamos a indução ainda na madrugada, acreditando que dali a um tantinho começaria a sentir as contrações. Apenas algumas cólicas esparsas. Internei às 7:30h e aplicamos os comprimidos mais três vezes ao longo do dia (um comprimido relativamente grande, colocado no fundo da vagina). Caminhei, almocei, cochilei. Nenhum sintoma que me fizesse alarmar. Comecei a ficar ansiosa.

Às 19:30h eu estava com 1 cm de dilatação. Dr. Alfredo recomendou a cesárea, com ares de paizão. Fui para o centro cirúrgico entre lágrimas. Pavor. Enquanto estava curvada e o anestesista “desinfetava” a pele das minhas costas, eu pedia a Deus pra tudo dar certo. A enfermeira segurava nos meus ombros e aqueles minutos pareceram eternos. Deitei e as pernas esquentaram, depois formigaram. Depois umas pressões aqui e ali. Desinfetaram a barriga. Acho que também as pernas. Passaram uma sonda pela uretra. Eu disse “Dr. Alfredo, espere mais um pouco, ainda sinto alguma coisa”.

O anestesista era um bom narrador, foi me contando tim tim por tim tim cada detalhe até o nascimento da Maria. Ele disse ao Eduardo, “pode ligar a câmera, porque vai nascer”. Eduardo estava em êxtase. Ele que fala relativamente pouco e discretamente, dizia alto “Maria, Maria, olhe pro papai”. Eu, entre lágrimas e soluços.

Quando ela nasceu me senti tão aliviada que assim que ela saiu da sala com o Eduardo e com a pediatra, passei a rir e gargalhar.

A coisa mais estranha de estar anestesiada (e consciente) foi ver a minha perna erguida lá pro alto e não senti-la, enquanto a enfermeira me manipulava. Parece que não era parte de mim. Acabou a cirurgia e imediatamente passei a sentir coceiras horrorosas. Começou simultaneamente nas duas axilas.

Fiquei umas quatro horas na sala de recuperação. A uma da manhã fui pro quarto. Uma meia hora depois entrou uma enfermeira empurrando um bercinho de acrílico. Ela pôs Maria Eduarda em meu braço direito para mamar. Indescritível a emoção que senti. Disse “Oi, filha. Como você é linda”. Não pude parar de chorar e assim permaneci toda a primeira semana. Emoção irreprimível cada vez que me lembrava desse nosso primeiro contato íntimo, apenas nós, quietinhas, quentinhas, abraçadas.

Nestas duas semanas parece que entramos em um turbilhão, num tempo paralelo. Tudo voou. Nos fins de tarde da primeira semana eu entrava num estado “blue”, emotividade. Olhava pela janela, via o trânsito e pensava “nossa, a vida continua lá fora”. Esta semana a emotividade vem no nascer do dia, quando eu ainda desperta vejo a noite acabar sem quase pregar os olhos. Hoje, às seis da manhã, ainda na mamada começada às quatro, meus olhos estavam em órbita. Numa mistura de sonho e realidade pensava se o Eduardo não teria algumas glândulas mamárias atrofiadas, como um vulcão adormecido, esperando um fator desencadeante para a produção do leite. Fiquei ali, Maria sugando e eu de olhos fechados imaginando o Eduardo de seios fartos e férteis (e peludos).

domingo, 17 de janeiro de 2010

40 semanas e meia


Me perguntam a todo momento se ela já nasceu. Posso dizer que passei a noite amamentando, em sonho. Primeiro a mama esquerda, depois a direita. Tudo correu bem, barriga com barriga, boa pega. Acho que ela ficou satisfeita.


Tenho sonhado muito. Ela sempre tem cabelinhos pretos.

Outro dia num sonho deixei-a sozinha, recém nascida. Fui jantar numa pizzaria. Cheguei em em casa desesperada pois deveria trocar suas fraldas. Amamentei. Noutro minha mãe faria meu parto e, numa casa antiga de assoalho de madeira, pari gêmeos, um era menino. Teve um outro com esquecimento: era em uma cidade européia (reconheci por uma ponte que não se encontraria por aqui). Atravessei a ponte com minha mãe, a pé. Muitas pessoas atravessavam com um teleférico. Mas eu e minha mãe achamos que caminhar seria mais simples. Do outro lado haviam vitrines lindíssimas. Quando vi uma roupa de bebê tentei alisar minha barriga e ela não estava lá. Lembrei-me que ela já havia nascido e me desesperei pois Maria Eduarda foi esquecida no hotel. Voltei correndo pela ponte. Teve um sonho ainda mais estranho: um armário novo dentro de um armário velho. Abri o armário velho para mostrar para minha mãe o que havia dentro. Acho que o armário velho sou eu, em comparação com Maria Eduarda que é novinha em folha. Nos sonhos minha mãe sempre aparece de uma maneira ou outra, sempre ali, como a mão mais forte. De qualquer maneira já pari e amamentei várias noites.

Minhas dores estão muito melhores que há 10 ou 15 dias. Tenho repousado e me sinto ótima. Repouso, caminhada, repouso e caminhada. Leituras sobre recém nascidos. Hoje reapareceu de mansinho a dor-de-abridor-de-garrafas. Esta semana tive uma crise de choro (quando ela nascerá? Eduardo ainda me ama e me amará? vai dar tudo certo? Serei mãe boa e paciente?). Fui consolada carinhosamente e ao fim havia um papai com uma camiseta encharcada de lágrimas e uma mamãe aliviada e pronta para esperar com tranquilidade.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Quase 40 semanas


Hoje acordei com “fogo na bunda”. Essa frase era da minha vó Lica, isto é, cheia de energia e vontade de fazer algo. Nem parecia que existe uma mega barriga aqui em baixo. 7 da manhã e eu já fazendo planos pra hoje e sorrindo pro sol. Piscina!!


Pus a mesa do café, fui cutucar o Eduardo na cama e às 8 já estavamos na água. Estar na piscina com essas quase 40 semanas é indescritível. Nada dói, as pernas não pesam, a lombar relaxa, os pés desincham e a barriga não é afetada pela gravidade, o que dá um bem-estar na bexiga (coisa raríssima nessas últimas semanas). Porém, na hora de por os pés na escadinha para desatolar das águas, parece que estamos com pedras nos ombros. Tudo pesa e a bexiga urra. Bom, o fogo na bunda já acabou há uma hora...rs. Estou com a pancinha de lado na cama.

Ontem à noite achei que estava caminhando pro desfecho da gestação. Fui dormir acabada, dolorida. E hoje acordo assim, como se nada tivesse acontecido. Toda noite me vêm dores suspeitíssimas. Muito curiosas as sensações desse finalzinho, às vezes leve e cheia de energia e às vezes mais lenta que bicho preguiça.

Compartilhando minhas sensações com minhas queridas amigas, recebo muito amor e apoio. E dicas. Acabo de ser brindada com estas, da Tati:

“Ah!!!!


lembrei de mais uma que me ajudou muito no parto (no trabalho de parto).

Lembram que fiz quase todo ele sozinha em Arthur Nogueira, pois achei que a dor ainda não estava no ponto e quando resolvi ir ao Hopsital (Caism da Unicamp) as contrações já eram quase contrações de parto (estavam de 5 em 5 min e as de parto acho que eram de 3 em 3 min). Bom, o motivo de eu ter conseguido não sentir dores intensas no trabalho de parto foi simplesmente respirar direito. A lógica é simples. Tudo deve estar bem oxigenado... e a mami deve estar calma.

Motivo da segunda - mami deve estar calma pois o parto para o bebe já é estressante... então quanto mais mami calma, menos um stress para o baby... e obvio deve-se priorizar o stress do neném (ai a gente já vai aprendendo quem passa a reger nossos esforços). Então tem que ficar calma, deixe que os médicos cuidam do resto, e principalmente a natureza (nosso corpo dá conta acredite)... à mãe cabe ficar o mais calma possível.

Agora a primeira - Aqui entra a respiração. Melhor que seja de qualidade. Minha médica disse que era bobagem tipos específicos de respiração (ex. tipo cachorrinho)... ela disse que eu tinha que respirar bem, profundamente, oxigenando o organismo...

E foi por conta desta orientação que resolvi durante hooooooras... (no mínimo das 2 da tarde até as 9 da noite) brincar de respirar profundamente toda a vez que vinha uma contração (o médico tinha me garantido que Tainazinha chegaria em um ou dois dias apenas). Me recostei bela e formosa na cama, depois de uma almoço de pratada, e a cada vez que sentia um sinal de contração chegando, como uma ondinha rasa que vem do mar e que aos poucos vira um tsumani, começava a respirar profundamente e com calma... como nos exercídios de coral (Dri, ja fez coral??). Inspirava abrindo espaço ´na barriga´ com o que se chama de respiração abdominal, e depois com o peito (respiração superior), mantinha ela assim e soltava bem devagarzinho. Várias vezes, sem pressa. Percebi que se fizesse esta proeza bem feita a dor da contração durava não 30 segundos, mas 10, 15 segundinhos...



Foi assim que cheguei em Barão com Tainazinha quase nascendo e sem precisar de anestesias.


A anestesia foi a calma e a respiração.



Moral da história:


A natureza dá conta.


Respire com qualidade


Reduza as variáveis de stress (prioriza o stress do neném, já está de bom tamanho)”



Estou, como digo, tranquila. Ansioso está o Eduardo, ontem a tarde parecia enjaulado e à noite com dores como as minhas. . E contando minutos nos dedos estão a mãe dele e meus pais.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Papais prontos para conhecê-la


Maria Eduarda está mexendo. E eu estou respirando.


Acordei há umas 3 horas para o xixi da madrugada. Em geral ela se ajeita depois disso. Hoje não. Voltei a deitar, esperando suas entusiasmadas manifestações. Passaram-se minutos e minutos. E muitos mais minutos e nada. Alisei minha barriga e falei com ela, em pensamento. Resolvi fazer um afago mais vigoroso. Quando me dei conta eu não respirava e ela não se mexia. Eu estava toda dura e com o coração acelerado. Vim pra sala comer uma cenoura, que engoli meio sem mastigar. Me ajeitei no sofá, deitada para ler. Há meia hora ela mexeu e tudo está tomado por calmaria.

Já escutei falar que os pais ficam em cima do berço pra ver se a criança está respirando. Sempre achei exagero. Acho que não.

Desconfio que ela se aprofundou mais na minha pelve. Às vezes meu osso púbico dói tando que parece que vai despregar e cair no chão. Estou andando com uma elegante ginga de pinguim.

Ontem Eduardo me ajudou a fazer um check list na malinha da maternidade. Depois cortei o cabelo e fiz as unhas. Já estou pronta para conhecê-la. Edu pensa que não reparei, mas há duas semanas está se barbeando com assiduidade. Estamos de 39 semanas e meia.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

No princípio era o caos


"No principio era o caos, então foi feita a luz e a luz era boa..."
O quarto da Maria Eduarda está assim: tudo absolutamente caótico e fora de lugar, porém com uma luminária adorável, recém instalada, com lua e estrelas jateadas, com dimer para dosar essa boa luz.
Para não dizer que nada está pronto, a malinha dela está. Minúsculas roupinhas de boneca lavadas e passadas cuidadosamente uma a uma (delícia delícia). Estou oficialmente no oitavo mês e confesso que depois desses sete meses de convivência consciente, me encantei (enfim!!) pelo cor de rosa e pelo lilás. Quando fui comprar as roupinhas arrisquei um bodie azul e um verde, na verdade da sessão masculina... mas declaro que ao lavá-los agora, não achei muito entusiasmante.
A chuva destes últimos dias atrasou a pintura do guarda roupa. O berço chega amanhã e nada de armário. Tudo está espalhado por todos os cantos... Espero que até sexta o caos se amenize. Aguardemos a cena do próximo capítulo.
A pancinha virou pança. Mais uma estria no quadril, duas no púbis, umas dez na barriga. Todo cuidado parece pouco. Haja cremes e óleo, mas a pele parece sempre seca.
Dormir está mesmo difícil. Agora dei para acordar diariamente por volta das 2. Um dia passei roupa, noutros arrumei umas coisas, trabalhei, li... Geralmente até as 5, com lanchinho aí no meio, obvio. Depois um cochilo e vou trabalhar. Bom que em mais uma semana estou em férias e poderei descansar quando bem entender.
Nesta quinta temos obstetra e estou curiosa para saber como ela está. Já eu, ando cansada, meio sem ar, com azia, com sono mortal algumas tardes, com aquela dor-de-abridor-de-garrafas vocês sabem onde, um pouco de cólica, algumas contrações. Tornozelo mais inchado nesses dias de calor.
Eduardo me disse que agora quem parece um rinoceronte-canguru sou eu, cada vez que empreendo a manobra de me virar na cama. Tudo bem que não ando muito jeitosa, mas ele (que já não pula na cama) ainda tem suas artimanhas para “ver se respiro”: chacoalha o lençol... ele não sabe que muitas vezes estou acordada. Respiro ruidosamente fundo e ele dorme em paz.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Diálogo

Eu lavando as roupinhas da Maria Eduarda e pensando. Eduardo entra:
"Du, será que o marido da Maria Eduarda já nasceu?"
"Espero que não tenha nascido há 30 anos..."

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O pai da Maria Eduarda

Descobri que minha vida doméstica é (salvo exceções) um monólogo. Eu falo e Eduardo escuta. Estou com laringite aguda, com a recomendação de tomar muita água, nada de gelados e repouso vocal absoluto. Descobri que, dentro desse panorama, minha casa é um silêncio. Monótona até... Sorte que passei esses últimos dias absolutamente absorvida em ler e escrever. Também me pus a refletir se não falo demais pra preencher o espaço... todo o espaço (e olha que de fato acredito que ando mais introspectiva... como seria antes?)
Outro dia (quando ainda tinha voz) deixei a sala e fui para o quarto da Maria Eduarda, ler. Não avisei ao Du meu paradeiro, já que em linha reta eu estava a menos de 7 metros. Minutos depois, parado na porta, estava ele.
“Que você está fazendo?”
“Estou lendo”.
“Mas por que aí? ... digo... pode ser aí... Mas é que se você estivesse na sala...” Ele ficou quieto uns instantes... “eu não ia falar com você mesmo, mas você estaria lá”.
Começamos a rir. Ele de si mesmo.
Para quem não sabe (acho que todos sabem) conheci o Du pela internet, quando ainda nem era popular usar câmeras e microfones. Foi a sorte. Imaginem que porre seria eu falar e ele escutar uma noite inteira num barzinho...
O bom é que há dias em que ele está inspirado e fala pelas tampas, sobre os mais variados e interessantes assunto. Ótima companhia.

sábado, 19 de setembro de 2009

Dormindo com um rinoceronte - De 04 de setembro

São 2 e 51 da madrugada. Assisti ao Jô comendo uma banana. Fui ler às 7 da noite e... dormi, acordei à uma. Agora mesmo só penso em figos frescos fatiados com mel por cima.
Em geral tenho tido noites de sono maravilhosas nas últimas semanas. Exceto por alguma agitação em uma madrugada, quando eu dormia placidamente e dedinhos me cutucaram. Virei de lado e voltei a dormir. No segundo cutucão eu disse: “dá pra parar de me acordar?” Passei uns 20 minutos desperta e voltei a dormir, gostosamente. Não tardou e o Eduardo parecia um rinoceronte-canguru se virando na cama... acordei pela terceira vez e soltei o verbo (eu que ando menos paciente): “pare de pular desse jeito que você me acorda!”. Imediatamente caí no sono. Eu estava em transe.
Na manhã seguinte ele veio me dar beijinho na cama antes de ir trabalhar. Sinceramente eu não me lembrava do último xingo da madrugada, recordava apenas dos cutucões (depois forcei minha percepção e creio que outros cutucões aconteceram em noites anteriores). Aproveitei pra dizer que ele estava me incomodando na madrugada, quando ele me revelou: “mas eu te acordo porque você não respira...” Caí na gargalhada. Expliquei que meu nariz anda destrancado e estou dormindo feito anjo e não preciso ser importunada... Se ele quer se certificar que continuo viva basta me abraçar com delicadeza, que darei algum sinal vital. Não precisa pular. Resumindo, depois disso ele está mais disposto ao longo do dia. Fazia quase um mês que ele andava meio zumbi mas eu não sabia que era por noites mal dormidas, em vigilia...
Dia primeiro cumpri 21 semanas de gestação e foi um marco: Maria Eduarda mexeu mesmo. Eduardo pôs a mão e sentiu. Acho que todo mundo já sentiu a pálpebra pulsar, involuntariamente. Pois comecei a sentir algo assim, lá dentro, e de repente algo mais forte, simultaneamente em dois pontos opostos. Não tive dúvidas.
Ontem eu teria obstetra mas depois do furacão ele me ligou que não havia eletricidade e remarcou para amanhã.
Sobre meu estado de alma, me sinto muito mais segura que no início da gestação. Não estou mais aterrorizara, afoita atrás de informação, como se eu pudesse engolir de uma só vez algo que me deixasse em paz. Me sinto tranquila, adorando essa minha pancinha proeminente, em baixa sexual ainda que me sentindo adorável. Hoje entre uma e outra frase do Jô meus pensamentos divagavam (tenho estado assim, menos focada nas coisas), quase numa retrospectiva de toda minha vida... e me veio uma sensação irreprimível de perpetuação. Nada que me ponha em risco. Acho que é pelo mesmo motivo que meu rinoceronte-canguru tem me despertado alerta e, ainda que nada sutil, muito amoroso.