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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Diálogo

Eu lavando as roupinhas da Maria Eduarda e pensando. Eduardo entra:
"Du, será que o marido da Maria Eduarda já nasceu?"
"Espero que não tenha nascido há 30 anos..."

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O pai da Maria Eduarda

Descobri que minha vida doméstica é (salvo exceções) um monólogo. Eu falo e Eduardo escuta. Estou com laringite aguda, com a recomendação de tomar muita água, nada de gelados e repouso vocal absoluto. Descobri que, dentro desse panorama, minha casa é um silêncio. Monótona até... Sorte que passei esses últimos dias absolutamente absorvida em ler e escrever. Também me pus a refletir se não falo demais pra preencher o espaço... todo o espaço (e olha que de fato acredito que ando mais introspectiva... como seria antes?)
Outro dia (quando ainda tinha voz) deixei a sala e fui para o quarto da Maria Eduarda, ler. Não avisei ao Du meu paradeiro, já que em linha reta eu estava a menos de 7 metros. Minutos depois, parado na porta, estava ele.
“Que você está fazendo?”
“Estou lendo”.
“Mas por que aí? ... digo... pode ser aí... Mas é que se você estivesse na sala...” Ele ficou quieto uns instantes... “eu não ia falar com você mesmo, mas você estaria lá”.
Começamos a rir. Ele de si mesmo.
Para quem não sabe (acho que todos sabem) conheci o Du pela internet, quando ainda nem era popular usar câmeras e microfones. Foi a sorte. Imaginem que porre seria eu falar e ele escutar uma noite inteira num barzinho...
O bom é que há dias em que ele está inspirado e fala pelas tampas, sobre os mais variados e interessantes assunto. Ótima companhia.

sábado, 19 de setembro de 2009

Dormindo com um rinoceronte - De 04 de setembro

São 2 e 51 da madrugada. Assisti ao Jô comendo uma banana. Fui ler às 7 da noite e... dormi, acordei à uma. Agora mesmo só penso em figos frescos fatiados com mel por cima.
Em geral tenho tido noites de sono maravilhosas nas últimas semanas. Exceto por alguma agitação em uma madrugada, quando eu dormia placidamente e dedinhos me cutucaram. Virei de lado e voltei a dormir. No segundo cutucão eu disse: “dá pra parar de me acordar?” Passei uns 20 minutos desperta e voltei a dormir, gostosamente. Não tardou e o Eduardo parecia um rinoceronte-canguru se virando na cama... acordei pela terceira vez e soltei o verbo (eu que ando menos paciente): “pare de pular desse jeito que você me acorda!”. Imediatamente caí no sono. Eu estava em transe.
Na manhã seguinte ele veio me dar beijinho na cama antes de ir trabalhar. Sinceramente eu não me lembrava do último xingo da madrugada, recordava apenas dos cutucões (depois forcei minha percepção e creio que outros cutucões aconteceram em noites anteriores). Aproveitei pra dizer que ele estava me incomodando na madrugada, quando ele me revelou: “mas eu te acordo porque você não respira...” Caí na gargalhada. Expliquei que meu nariz anda destrancado e estou dormindo feito anjo e não preciso ser importunada... Se ele quer se certificar que continuo viva basta me abraçar com delicadeza, que darei algum sinal vital. Não precisa pular. Resumindo, depois disso ele está mais disposto ao longo do dia. Fazia quase um mês que ele andava meio zumbi mas eu não sabia que era por noites mal dormidas, em vigilia...
Dia primeiro cumpri 21 semanas de gestação e foi um marco: Maria Eduarda mexeu mesmo. Eduardo pôs a mão e sentiu. Acho que todo mundo já sentiu a pálpebra pulsar, involuntariamente. Pois comecei a sentir algo assim, lá dentro, e de repente algo mais forte, simultaneamente em dois pontos opostos. Não tive dúvidas.
Ontem eu teria obstetra mas depois do furacão ele me ligou que não havia eletricidade e remarcou para amanhã.
Sobre meu estado de alma, me sinto muito mais segura que no início da gestação. Não estou mais aterrorizara, afoita atrás de informação, como se eu pudesse engolir de uma só vez algo que me deixasse em paz. Me sinto tranquila, adorando essa minha pancinha proeminente, em baixa sexual ainda que me sentindo adorável. Hoje entre uma e outra frase do Jô meus pensamentos divagavam (tenho estado assim, menos focada nas coisas), quase numa retrospectiva de toda minha vida... e me veio uma sensação irreprimível de perpetuação. Nada que me ponha em risco. Acho que é pelo mesmo motivo que meu rinoceronte-canguru tem me despertado alerta e, ainda que nada sutil, muito amoroso.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Diálogos

Nós de carro fazendo um retorno na avenida aqui perto de casa:

Du- olha, agora tem balé ali na academia, olha as crianças. (umas pimpolhas de uns 4 anos, todas de roupinha frufru, estavam com a professora bem na porta)
Eu- verdade, se for menina a gente pode trazê-la.
Du- e se for menino e ele quiser, trazemos também.

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Nós depois de descobrirmos que é uma menina e du organizando umas coisas em meio às duas bolas de rugby:

Du- vou ensiná-la a jogar rugby.
Eu- ensine com delicadeza, nada de hematomas.

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Nós na cama, ambos de barriga pra cima, fazendo uma siesta:

Du - por que você diz "meu bebê" e não "nosso bebê"? É meu também.
Eu - sei lá, acho que porque está na minha barriga. Mas a menina é nossa, vou prestar mais atenção para não dizer "meu"...

Ele virou pro outro lado e passou-se uns 15 minutos. Achei que ele tinha cochilado. Ele desvirou e olhou pra mim. Eu de olhos abertos pregados no teto.

Du - pensei que você estava dormindo.
Eu - não, estava pensando. Você pensa no parto todo dia?
Du - não.
Eu - eu penso.
Du - é que o bebê é seu. (e abriu um amplo sorriso provocativo)